sábado, 29 de janeiro de 2011

O dia sem você

De manhã,

Tem quinze flores na varanda.
De tarde,
Tem chuva na janela.
De noite,
Tem solidão no quarto.


De manhã,
Tem cheiro de café na cozinha.
De tarde,
Deixo a casa vazia.
De noite,
Tem um grilo cantando entre as plantas.


De manhã,
Tem a vontade de te encontrar.
De tarde e de noite,
Também.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Não-estranho

Não compreendo a tua ciência
Nem, muito menos, entendo os teus pensamentos,
Porém persegues as minhas carícias
E, todas as noites,
Procuro, em pensamento, pelo incompreendido.
As carícias do meu corpo branco, terás.
Iremos ao pequeno planeta.
E, assim, eu te amarei,
Pois,
Não me és estranho.

Formas orgânicas sobre lenços do balcão




domingo, 19 de setembro de 2010

Sem tempo de me deprimir

Não tenho tido tempo de me deprimir.
O trabalho me aperta os pés
O tempo me aperta os olhos
E já não vejo o meu amor sob a luz amarela.
Apoesia e os encontros casuais,
O ódio e o amor,
Nem para a doença tenho tido tempo.
Mas o compositor diz "tudo passa",
Então, sigo esperando o tempo que não há,
Esperando o nada que trará a ausência disso tudo que me aperta.
Espero pelo dia em que encontrarei no nada...
Tempo para me deprimir
E alimentar a minha poesia.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Manchas

Por mancha, foi-se o dia nas águas da chuva,


É fim de tarde.

Por mancha, dei-me a você nos lençóis amarelos,

É manhã sombria.

Tive sono,

Tive fome,

Tive que ir para não manchar o dia.

Tive que beber para manchar a noite.

E olhei a chuva que

Por mancha me trouxe a lembrança

Tive que ter a esperança

De que

...outra tarde virá,

Com manchas de chuva

...outra manhã virá,

Manchada de amarelo

E em outras noites nos encontraremos

E beberemos pelas manchas da nossa aquarela.

domingo, 2 de maio de 2010

Árvores, Flores, Pessoas e Peixes

Árvores prestam atenção nas estações
As folhas dançam com o vento
Flores caem e dão espaço aos novos brotos
As pessoas matam para não dar lugar aos outros
Mas os peixes ignoram as estações e nadam

Árvores prestam atenção nos ventos
Os galhos se fortalecem para o sustento
Flores combinam aromas e dão alimento aos pássaros
As pessoas tiram do próximo a paz
Mas os peixes esquecem tudo e nadam

Árvores prestam atenção na chuva e bebem do solo
Nas raízes, riquezas contra a morte
Flores para coletar poesia numa gota de chuva sobre a pétala
As pessoas protegem-se da água
Mas os peixes aproveitam e nadam.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fôlego do amor

Eis que a moça corre ao encontro de seu amor, como um Beta, solitário, vai à superfície d'água de sua pequena casa molhada...
Eis que a moça carece de seu amor, como vida, como morte, como a ultima sorte.
Eis que se diz "eu te amo" na madrugada
... e de nada adianta o clamor dos ferozes, pois o amor não pára enquanto se toma fôlego na superfície do tempo.



(Ver Beta em http://pt.wikipedia.org/wiki/Betta_splendens )